segunda-feira, 2 de maio de 2011

Sinais

Sua conversação dirá das diretrizes que você escolheu na vida. 
 *
Suas decisões, nas horas graves, identificam a posição real de seu espírito. 
 *
Seus gestos, na luta comum, falam de seu clima interior. 
 *
Seus impulsos definem a zona  mental em que você prefere movimentar-se. 
 *
Seus pensamentos revelam suas companhias espirituais. 
 *
Suas leituras definem os seus sentimentos. 
 *
Seu trato pessoal com os outros esclarece até que ponto você tem progredido. 
 *
Suas solicitações lançam luz sobre os seus objetivos. 
*

Suas opiniões revelam o verdadeiro lugar que você ocupa no mundo. 
 *
Seus dias são marcas no caminho evolutivo. Não se esqueça de que compactas assembléias de companheiros encarnados e desencarnados conhecem-lhe a  personalidade e seguem-lhe a trajetória pelos sinais que você está fazendo. 


XAVIER, Francisco C., pelo Espírito André Luiz. Agenda Cristã. Rio de Janeiro: Federação Espírita Brasileira, 2006

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Lembranças Úteis

Não viva pedindo orientação espiritual, indefinidamente. Se você já possui duas semanas de  conhecimento cristão, sabe, à saciedade, o que fazer.

*

Não gaste suas energias, tentando consertar os outros de qualquer modo. Quando consertamos a nós mesmos, reconhecemos que o mundo está administrado pela Sabedoria Divina e que a obrigação de cooperar invariavelmente para o bem é nosso dever primordial.

*

Não acuse os Espíritos desencarnados sofredores, pelos seus fracassos na luta. Repare o ritmo da própria vida, examine a receita e a despesa, suas ações e reações, seus modos e atitudes, seus compromissos e determinações, e reconhecerá que você tem a situação que procura e colhe exatamente o que semeia.

*

Não recorra sistematicamente aos amigos espirituais, quanto a comezinhos deveres que lhe competem no caminho comum. Eles são igualmente ocupados, enfrentam problemas maiores que os seus, detêm responsabilidades mais graves e imediatas e você, nas lutas vulgares da Terra, não teria coragem de pedir ao professor generoso e benevolente que desempenhasse funções de ama-seca.

*

Não espere a morte para solucionar as questões da vida, nem alegue enfermidade ou velhice para desistir de aprender, porque estamos excessivamente distantes do Céu. A sepultura não é uma cigana, cheia de promessas miraculosas, e sim uma porta mais larga de acesso à nossa própria consciência.


XAVIER, Francisco C., pelo Espírito André Luiz. Agenda Cristã. Rio de Janeiro: Federação Espírita Brasileira, 2006

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Defenda-se


Não converta seus ouvidos num paiol de boatos. 
A intriga é uma víbora que se aninhará em sua alma. 
 *
Não transforme seus olhos em óculos da maledicência. 
As imagens que você corromper viverão corruptas na tela de sua mente. 
 *
Não faça de suas mãos lanças para lutar sem proveito. 
Use-as na sementeira do bem. 
 *
Não menospreze suas faculdades  criadoras, centralizando-as nos prazeres fáceis. 
Você responderá pelo que fizer delas. 
 *
Não condene sua imaginação às excitações permanentes. 
Suas criações inferiores atormentarão seu mundo íntimo. 
 *
Não conduza seus sentimentos à volúpia de sofrer. 
Ensine-os a gozar o prazer de servir.
*
Não procure o caminho do paraíso, indicando aos outros a estrada para o inferno. 
A senda para o Céu será construída dentro de você mesmo. 


XAVIER, Francisco C., pelo Espírito André Luiz. Agenda Cristã. Rio de Janeiro: Federação Espírita Brasileira, 2006

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Em Verdade

O santo não condena o pecador. Ampara-o sem presunção. 

 *
O sábio não satiriza o ignorante. Esclarece-o fraternalmente. 

 *
O iluminado não insulta o que anda em trevas. Aclara-lhe a senda. 

 *
O orientador não acusa o aprendiz tateante. A ovelha insegura é a que mais reclama o pastor. 

 *
O bom não persegue o mau. Ajuda-o a melhorar-se. 

 *
O forte não malsina o fraco. Auxilia-o a erguer-se. 

*
O humilde não foge ao orgulhoso. Coopera silenciosamente, em favor dele. 

 *
O sincero a ninguém perturba. Harmoniza a todos.

*
O simples não critica o vaidoso. Socorre-o, sem alarde, sempre que necessário. 

 *
O cristão não odeia, nem fere.  Segue ao Cristo, servindo ao mundo. 

 *
De outro modo, os títulos de virtude são meras capas exteriores que o tempo desfaz. 



XAVIER, Francisco C., pelo Espírito André Luiz. Agenda Cristã. Rio de Janeiro: Federação Espírita Brasileira, 2006

terça-feira, 12 de abril de 2011

Algumas Definições

Benfeitor — é o que ajuda e passa.
Amigo — é o que ampara em silêncio.
Companheiro — é o que colabora sem constranger.
Renovador — é o que se renova para o bem.
Forte — é o que sabe esperar no trabalho pacífico.
Esclarecido — é o que se conhece.
Corajoso — é o que nada teme de si mesmo.
Defensor — é o que coopera sem perturbar.
Eficiente — é o que age em benefício de todos.
Vencedor — é o que vence a si mesmo.


XAVIER, Francisco C., pelo Espírito André Luiz. Agenda Cristã. Rio de Janeiro: Federação Espírita Brasileira, 2006

Lucrará Fazendo Assim

Reconforte o desesperado. Você não escapará às tentações do desânimo nos círculos de luta. 
 *
Levante o caído. Você ignora onde seus pés tropeçarão. 
 *
Estenda a mão ao que necessita de apoio. Chegará seu dia de receber cooperação. 
 *
Ampare o doente. Sua alma não está usando um corpo invulnerável. 
 *
Esforce-se por entender o companheiro  menos esclarecido. 
Nem sempre você dispõe de recursos para compreender como é indispensável. 
 *
Acolha o infortunado. Nem sempre o céu estará inteiramente azul para seus olhos. 
 *
Tolere o ignorante e ajude-o. Lembre-se de que há Espíritos Sublimes que nos suportam e socorrem com heróica bondade. 
 *

Console o triste. Você não pode relacionar as surpresas da própria sorte. 
 *
Auxilie o ofensor com os seus bons pensamentos. Ele nos ensina quão agressivos e desagradáveis somos ao ferir alguém. 
 *
Seja benévolo para com os dependentes. Não se esqueça de que o próprio Cristo foi compelido a obedecer.

XAVIER, Francisco C., pelo Espírito André Luiz. Agenda Cristã. Rio de Janeiro: Federação Espírita Brasileira, 2006

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Sem Tais Armas

Sem boas maneiras, você viverá desamparado da confiança 
dos outros. 
 *
Sem fortaleza, sucumbirá aos  primeiros obstáculos do caminho. 
 *
Sem fé positiva, vagueará sem rumo. 
 *
Sem devotar-se ao bem, experimentará terrível endurecimento. 
 *
Sem exemplos nobres, passará inutilmente pelo mundo. 
 *
Sem trabalho digno, o tédio apodrecerá suas energias. 
 *
Sem esforço próprio, jamais alcançará as portas do Alto. 
 *
Sem esperança, suas noites terrestres serão mais escuras. 
 *
Sem compreensão, dolorosa lhe será a jornada, através das 
sombras. 
 *
Sem espírito de renúncia, você não educará ninguém.

XAVIER, Francisco C., pelo Espírito André Luiz. Agenda Cristã. Rio de Janeiro: Federação Espírita Brasileira, 2006

sexta-feira, 25 de março de 2011

Vinculações

"Os que encarnam numa família, sobretudo como parentes próximos, são, as mais das vezes, Espíritos simpáticos, ligados por anteriores relações, que se expressam por uma afeição recíproca na vida terrena"
Do item 8, do Cap. XVI, de O Evangelho Segundo o Espiritismo

Estudos e pesquisas se multiplicam, nos domínios da psicologia, quanto às complexidades do mundo infantil, e o exame das vinculações se destaca à vista.

Cada pequenino é um campo de tendências inatas, com tamanha riqueza de material para a observação do analista, que, debalde, se lhe penetrará os meandros da individualidade, sem apoio na reencarnação, para que se lhe solucionem os enigmas.

Baseando-nos no trabalho biológico de construção do ser, assente em milênios numerosos, é indubitável que surpreenderemos na criança todo o equipamento dos impulsos sexuais prontos à manifestação, quando a puberdade lhe assegure mais amplo controle do carro físico. E, com esses impulsos, eis que lhe despontam do espírito as inclinações para maior ou menor ligação com esse ou aquele companheiro do núcleo familiar.

O jogo afetivo, porém, via de regra se desenrola mais intensivamente entre ela e os pais, reconhecendo-se para logo se os laços das existências passadas estão mais fortemente entretecidos com o genitor ou a genitora.

Debitando-se ao impulso sexual quase todos os alicerces da evolução sobre os quais se nos levanta a formação do espírito, é compreensível que o sexo apareça nas cogitações dos pequeninos em seu desenvolvimento natural, e, nesse território de criações da mente infantil, ser-nos-á fácil definir a direção dos arrastamentos da criança, se para os ascendentes paternos ou maternos, porquanto aí revelará precisamente as tendências trazidas de estâncias outras que o passado arquivou. Com frequência, mas não sempre, as filhas propendem mais acentuadamente para a ligação com os pais, enquanto que os filhos se pronunciam por mais entranhado afeto para com as mães.

Subsistirá, no entanto, qualquer estranheza nisso, quando não ignoramos que toda a estrutura psicológica, em que se nos erguem os destinos, foi manipulada com ingredientes do sexo, através de milhares de reencarnações? E, aceitando os princípios de causa e efeito que nos lastreiam a experiência, desconheceremos, acaso, que os instintos sexuais nos orientaram a romagem, por milênios e milênios, no reino animal, edificando a razão que hoje nos coroa a inteligência?

Apreciando isso, recordemos o cipoal das relações poligâmicas de que somos egressos quanto aos evos transcorridos, e entenderemos, com absoluta naturalidade, os complexos da personalidade infantil.

Assim sucede, porque herdamos espiritualmente de nós mesmos, pelas raízes do renascimento físico, reencontrando, matematicamente, na posição de filhos e filhas, aqueles mesmos companheiros de experiência sentimental, com os quais tenhamos contas por acertar. Atentos a semelhante realidade, somos logicamente impulsionados a concluir que os vínculos da criança, de uma forma ou de outra, em qualquer distrito de progresso e em qualquer clima afetivo, solicitam providências e providências, que sintetizaremos tão somente numa única palavra única: educação.


XAVIER, Francisco C., pelo Espírito Emmanuel. Vida e Sexo. Rio de Janeiro: Federação Espírita Brasileira, 1970

Confiemos Alegremente

"Regozijai-vos sempre" Paulo (I Tessacolocenses, 5:16)


Lembra-te das mercês que o Senhor te concede pelos braços do tempo e espalha gratidão e alegria onde estiverdes...

Repara as forças da Natureza, a emergirem, serenas, de todos os cataclismos.

Corre a fonte cantando pelo crivo do charco...

Sussurra a brisa melodias de confiança após a ventania destruidora...

A árvore multiplica flores e frutos, além da poda...

Multidões de estrelas rutilam sobre as trevas da noite...

E a cada manhã, ainda mesmo que os homens se tenham valido da sombra para enxovalhar a terra com sangue do crime, volve o Sol, em luminoso silêncio, acalentando homens e vermes, montes e furnas.

Ainda mesmo que o mal te golpeie transitoriamente o coração, recorda os bens que te compõe a riqueza da saúde e da esperança, do trabalho e do amor, e rejubila-te, buscando a frente...

Tédio é deserção.

Pessimismo é veneno.

Encara os obstáculos de ânimo firme e estampa o otimismo em tua alma para que não fujas aos teus próprios compromissos perante a vida.

Serenidade em nós é segurança nos outros.

O sorriso de paz é arco-íris no céu de teu semblante.

"Regozijai-vos sempre" - diz-nos o apóstolo Paulo.

E acrescentamos:
- Rejubilemo-nos em tudo com a Vontade de Deus, porque a Vontade de Deus significa Bondade Eterna.


XAVIER, Francisco C., pelo Espírito Emmanuel. Palavras de Vida Eterna. Uberaba: Comunhão Espírita Cristã, 2007

quarta-feira, 23 de março de 2011

Engenho Divino

"A candeia do corpo são os olhos; de sorte que se os teus olhos forem bons, todo o teu corpo terá luz" Jesus (Mateus, 6:22)

"Sereis, porventura, mais perfeitos se, martirizando o vosso corpo, não vos tornardes menos egoístas, nem menos orgulhosos e mais caritativos para com o vosso próximo? Não, a perfeição não está nisso, está toda nas reformas por que fizerdes passar o vosso Espírito" Cap. XVII, 11.


Guardas a impressão de que resides, de modo exclusivo, na cidade ou no campo, e na essência, moras no corpo.

*

As máquinas modernas asseguram facilidades enormes.
Valeriam muito pouco sem o concurso das mãos.

Palácios voadores alçam-te às alturas.
Na experiência cotidiana, equilibras-te nos pés.

Os grandes telescópios são maravilhas do mundo.
Não teriam qualquer significação sem os olhos.

A música é cântico do Universo.
Passaria ignorada sem os ouvidos.

Imperioso saibas que manejas o corpo, na condição de engenho divino que a vida te empresta, instrumento indispensável à tua permanência na estância terrestre.

Não te enganas com o esmero da superfície.
Que dizes do motorista que primasse por exibir um carro admirável na apresentação, sentando-se alcoolizado ao volante?


Estimas  a higiene.

Sabes fugir do empanzinamento com quitutes desnecessários.

Justo igualmente expungir o lixo moral de qualquer manifestação que nos exteriorize a individualidade e evitar a congestão emocional pela carga excessiva de anseios inadequados.

A vida orgânica é baseada na célula e cada célula é um centro de energia. Todo arrastamento da alma a estados de cólera, ressentimento, desânimo ou irritação equivale a crises de cúpula, ocasionando o desarranjo e desastre em forma de doença e desequilíbrio na comunidade celular.

Dirige teu corpo com serenidade e bom-senso.

Compenetra-te de que, embora a ciência consiga tratá-lo, reconstruí-lo, reanimá-lo, enobrecê-lo e até mesmo substituir-lhe determinados implementos, ninguém, na Terra, encontra corpo novo para comprar.


XAVIER, Francisco C., pelo Espírito Emmanuel. Livro da Esperança. Uberaba: Comunhão Espírita Cristã, 1998

segunda-feira, 21 de março de 2011

Caso Grave

"... Louco, esta noite te pedirão a tua alma; e o que tens preparado para quem será?" Jesus (Lucas, 12:20)


Dentre os nossos companheiros de experiência humana, aquele:


que apenas enxerga as suas necessidades, sem consideração para com as necessidades de seus vizinhos;

que jamais se afastou da casa farta, nem mesmo por momentos, para levar um pão à choupana que a penúria vigia;

que nunca se lembrou de oferecer migalha dos recursos que lhe são próprios, nas obras da solidariedade;

que vê exclusivamente as exigências dos próprios filhos, laureando-os de abastança e carinho sem tentar, nem mesmo ao de leve, minorar o suplício das crianças abandonadas;

que se iluminou com o facho da ciência e se trancafiou em bibliotecas valiosas, sem estender a mais ligeira réstia de luz aos ignorantes;

que se enriqueceu de tributos afetivos no lar tranquilo, sem acender, em tempo algum, o menor raio de esperança ou de alegria para a viuvez em desamparo;

que unicamente sabe desfrutar vantagens pessoais, sem alongar braço amigo na direção dos que anseiam singela oportunidade das muitas oportunidades de elevação e progresso que lhe favorecem a vida;

que vai, existência afora, no carro da saúde física, cerrando os ouvidos para não escutar o choro e a súplica dos doentes que lhe rogam proteção e consolo;

é, de todos os irmãos prejudicados pelo egoísmo, um caso dos mais graves e dos que mais carecem de piedade, com direito a ser internado com urgência em nosso pronto-socorro da oração.


XAVIER, Francisco C., pelo Espírito Emmanuel. Ceifa de Luz. Rio de Janeiro: Federação Espírita Brasileira, 2007


quarta-feira, 16 de março de 2011

Em seu Benefício

Não se agaste com o ignorante; certamente, não dispõe ele 
das oportunidades que iluminaram seu caminho. 
 *
Evite aborrecimentos com as  pessoas fanatizadas; permanecem no cárcere do exclusivismo e merecem compaixão como 
qualquer prisioneiro. 
 *
Não se perturbe com o malcriado; o irmão intratável tem, na 
maioria das vezes, o fígado estragado e os nervos doentes. 
 *
Ampare o companheiro inseguro; talvez não possua o necessário, quando você detém excessos. 
 *
Não se zangue com o ingrato; provavelmente, é desorientado 
ou inexperiente. 
 *
Ajude ao que erra; seus pés pisam o mesmo chão e, se você 
tem possibilidades de corrigir, não tem o direito de censurar. 
 *
Desculpe o desertor; ele é fraco e mais tarde voltará à lição. 
 *
Auxilie o doente; agradeça ao Divino poder o equilíbrio que 
você está conservando. 
 *
Esqueça o acusador; ele não conhece o seu caso desde o princípio. 
 *
Perdoe ao mau; a vida se encarregará dele. 


XAVIER, Francisco C., pelo Espírito André Luiz. Agenda Cristã. Rio de Janeiro: Federação Espírita Brasileira, 2006

segunda-feira, 14 de março de 2011

Conclusões Naturais

O paciente jamais desespera.
O inquieto reclama agora ou depois.

*

O corajoso suporta as dificuldades, superando-as.
O temerário afronta os perigos sem ponderá-los.

*

O iluminado brilha.
O teórico fala excessivamente.

*

O irmão estuda processo de amparar.
O adversário observa os recursos de ferir.

*

O homem comum ajuda, conforme as inclinações.
O cristão auxilia sempre.


XAVIER, Francisco C., pelo Espírito André Luiz. Agenda Cristã. Rio de Janeiro: Federação Espírita Brasileira, 2006

quarta-feira, 2 de março de 2011

Conquista da Compaixão


"Exercita-te pessoalmente na piedade" Paulo (I Timóteo, 4:7)


Não se conhece nenhuma conquista que chegasse ao espírito sem apoio da prática.

*

Um grande intérprete da música não se manteria nessa definição, sem longos exercícios com base na disciplina.

Um campeão nas lides esportivas não consegue destacar-se simplesmente sonhando com vitórias.

Nos dons espirituais, os princípios que nos regem as aquisições são os mesmos.

*

Se quisermos que a piedade nos ilumine, é imperioso exercitar a compreensão. E compreensão não vem a nós sem que façamos esforço para isso.

*

Aceitemos, assim, as nossas dificuldades por ocasiões preciosas de ensino, sobretudo, no relacionamento uns com os outros.

Nesse sentido, os que nos contrariam se nos mostram como sendo os melhores instrutores.

*

Se alguém comete uma falta, reflitamos na doença mental que lhe terá ditado o comportamento.

Se um amigo nos abandona, imaginemos quanto haverá sofrido no processo de incompreensão que o levou a se afastar.

Pensa na insatisfação enfermiça dos que se fazem perseguidores ou na dor dos que se entregam a a esse ou àquele tipo de culpa.

*

Compaixão é a porta que se nos abre no sentimento para a luz do verdadeiro amor, entretanto, notemos: ninguém adquire a piedade sem construí-la.


XAVIER, Francisco C., pelo Espírito Emmanuel. Ceifa de Luz. Rio de Janeiro: Federação Espírita Brasileira, 2007

terça-feira, 1 de março de 2011

Amor e Temor


"o perfeito amor lança fora o temor." (I João, 4:18)

Para que nossa alma se expanda sem receio, através das realizações que o Senhor nos confia, não basta o imperfeito amor que estipula salários de gratidão ou que se isola na estufa do carinho particular, reclamando entendimento alheio.

É necessário rendamos culto ao perfeito amor que tudo ilumina e a todos se estende sem distinção.

O imperfeito amor, procurando o gozo próprio no concurso dos outros, é quase sempre o egoísmo em disfarce brilhante, buscando a si mesmo nas almas afins para atormentá-las sob múltiplas formas de temor, quais sejam a exigência e o ciúme, a crueldade e o desespero, acabando ele próprio no inferno da amargura e da frustração.

O perfeito amor, contudo, compreende que o Pai Celeste traçou caminhos infinitos para a evolução e aprimoramento das almas, que a felicidade não é a mesma para todos e que amar significa entender e ajudar, abençoar e sustentar sempre os corações queridos, no degrau de luta que lhes é próprio.

Para que te libertes, assim, das algemas do medo, não basta te acolhas no anseio de ser ardentemente querido e auxiliado pelos outros, segundo as disposições do amor incompleto. É indispensável saibas amar, com abnegação e ternura, entre a esperança incansável e o serviço incessante pela vitória do bem, sob a tutela dos quais viverás sempre amado, segundo o amor equilibrado e perfeito, pela força divina que nos ergue, triunfante, dos abismos da sombra para os cimos da luz.


XAVIER, Francisco C., pelo Espírito Emmanuel. Palavras de Vida Eterna. Uberaba: Comunhão Espírita Cristã, 2007

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Na Hora da Tristeza

"Vós sois a luz do mundo..." Jesus (Mateus, 5:14)

"Não digais, pois, quando virdes atingido um de vossos irmãos: É a justiça de Deus, importa que siga o seu curso. Dizei antes: Vejamos que meios o Pai misericordioso me pos ao alcance para suavizar o sofrimento do meu irmão" Capítulo V, 27


Entraste na hora do desalento, como se te avizinhasses de um pesadelo.

Indefinível suplício moral te impele ao abatimento, mágoas antigas surgem à tona.

Sentes-te à feição do viajor, para cuja sede se esgotaram as derradeiras fontes do caminho.

Experimentas o coração no peito, qual pássaro fatigado, ao sacudir, em vão, as grades do cárcere.

Ainda assim, não permitas que a ansiedade te lance à tristeza inútil.

*

Se a incompreensão alheia te azedou o pensamento, recorda os companheiros enfermos ou mutilados, quando não conhecem a própria situação, qual seria de desejar e prossegue servindo, a esperar pelo tempo que lhes dará reajuste.

Se amigos te abandonaram em árduas tarefas, à caça de considerações que lhes incensem a personalidade, medita nas crianças afoitas, empenhadas a jogos e distrações, nos momentos do estudo, e prossegue servindo a esperar pelo tempo, que a todos renovará na escola da experiência.

Se deixaste entes queridos ante a cinza do túmulo, convence-te de que todos eles continuam redivivos, no plano espiritual, dependendo, quase sempre, de tua conformação para que se refaçam e prossegue servindo, a esperar pelo tempo que te propiciará, mais além, o intraduzível consolo do reencontro.

Se o fardo das próprias aflições te parece excessivamente pesado, reflete nos irmãos desfalecentes da retaguarda, para quem uma simples frase reconfortante de tua boca é comparável a facho estelar, nas trevas em que jordaneiam, e prossegue servindo, a esperar pelo tempo, que, no instante oportuno, a cada problema descortinará solução.

*

Lembra-te de que podes ser, ainda hoje, o raciocínio para os que se dementaram na invigilância, o apoio dos que tropeçam na sombra, o socorro aos peregrinos da estrada que a penúria recolhe nas pedreiras do sofrimento, o amparo dos que choram em desespero e a voz que se levante para a defesa de injustiçados e desvalidos.

Não te detenhas para relacionar dissabores...

Segue adiante, e se lágrimas te encharcam a ponto de sentires a noite dentro dos olhos, entrega as próprias mãos nas mãos de Jesus e prossegue servindo, na certeza de que a vida faz ressurgir o pão da terra lavrada e de que o sol de Deus, amanhã, nos trará novo dia.


XAVIER, Francisco C., pelo Espírito Emmanuel. Livro da Esperança. Uberaba: Comunhão Espírita Cristã, 1998

Tédio no lar

Pergunta: Uma vez que os Espíritos simpáticos são induzidos a unir-se, como é que, entre os encarnados, frequentemente só de um lado há afeição e que o mais sincero amor se vê acolhido com indiferença e, até, com repulsão? Como é, além disso, que a mais viva afeição de dois seres pode mudar-se em antipatia e mesmo em ódio?
Resposta: Não compreendes, então, que isso constitui uma punição, se bem que passageira? Depois, quantos não são os que acreditam amar perdidamente, porque apenas julgam pelas aparências, e que, obrigados a viver com as pessoas amadas, não tardam a reconhecer que só experimentaram um encantamento material! Não basta uma pessoa estar enamorada de outra que lhe agrada e em quem supõe belas qualidades. Vivendo realmente com ela, é que poderá apreciá-la. Tanto assim que, em muitas uniões, que a princípio parecem destinadas a nunca ser simpáticas, acabam os que as constituíram, depois de se haverem estudado bem e de bem se conhecerem, por votar-se, reciprocamente, duradouro e terno amor, porque assente na estima! Cumpre não se esqueça de que é o Espírito quem ama e não o corpo, de sorte que, dissipada a ilusão material, o Espírito vê a realidade.
Duas espécies há de afeição: a do corpo e a da alma, acontecendo com frequência tomar-se uma pela outra. Quando pura e simpática, a afeição da alma é duradoura; efêmera a do corpo. Daí vem que, muitas vezes, os que julgavam amar-se com eterno amor passam a odiar-se, desde que a ilusão se desfaça."

Item número 939, de "O Livro dos Espíritos"


Entre muitos pares de criaturas enleadas nos ajustes do coração, o tédio reponta, lembrando ácido inesperado, azedando a vida em comum.

Algumas vezes, é o parceiro que se arroja na indiferença; de outras, é a parceira que se entrega à secura ou ao relaxamento.

Tão logo surjam semelhantes pragas na lavoura doméstica, é razoável se faça judiciosa auto-análise, de lado a lado, a fim de que o parasito destruidor da felicidade seja erradicado completamente.

Quando o homem e a mulher se confiam um ao outro, pelos vínculos sexuais, essa rendição é tão absoluta que passam, praticamente, a viver numa simbiose de forças, qual se as duas almas habitassem um só corpo. No ligamento afetivo, ambas recordam o cérebro e o coração, vibrando em sintonia numa existência indivisa.

Compreensível que se um dos companheiros ou mesmo ambos esmorecem na indiferença, sem cogitarem da responsabilidade que abraçaram um perante o outro, é a morte da união que sobrevém, inevitável, com os resultados infelizes de que se fará seguir, indiscutivelmente.

Verificada a presença do tédio, é imperioso ausculte, cada um deles, o próprio íntimo, de modo a saber se o desequilíbrio estará enraizado nos desregramentos poligâmicos, que nos marcaram a individualidade em existências pretéritas, a fim de corrigir-se, em salvadora dieta emotiva, a compulsão que, porventura, os arraste ainda para a fome de prazeres inúteis.

A sexualidade no casal existe, sobretudo, em função de alimento magnético entre os dois corações que se integram em no outro e daí procede a necessidade de vigilância para que a harmonia não se perca, nesse circuito de forças.

Noutros lances da experiência, observarão parceiro ou parceira, conforme o caso, que a influência de alguém lhes atinge o âmago do ser, incitando-os a ligações sexuais diferentes.

É o pretérito que volta, apresentando, de novo, aquelas mesmas criaturas com quem talvez tenhamos enveredado no labirinto de experiências francamente infelizes. Carreiam consigo os mesmos ingredientes de sedução, com que nos arredaram de obrigações assumidas, sugerindo-nos o retorno a processos de vida incompatíveis com o nosso dever e tentando deslocar-nos a mente dos alicerces do equilíbrio em que o tempo nos restaurou.

Seja qual seja o motivo em que o tédio se fundamente, recorram os companheiros imanizados em mútua associação no lar ao apoio recíproco mais profundo e mais intensivo. Com isso, estarão em justa defesa da harmonia íntima, sem castigarem o próprio corpo. E reeducar-se-ão, sem hostilizar os que, porventura, lhes demonstrem afeto, mas acolhendo-os, não mais na condição de cúmplices das aventuras deprimentes, a que se renderam outrora, e sim por irmãos queridos, com quem podemos fundir-nos, em espírito, no mais alto amor espiritual.


XAVIER, Francisco C., pelo Espírito Emmanuel. Vida e Sexo. Rio de Janeiro: Federação Espírita Brasileira, 1970

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

A mestra divina


"Estai, pois, firmes..." Paulo (Efésios,6:14)

Arrancando-nos ao reduto da delinquência, e arrebatando-nos ao inferno da culpa, a que descemos pelo desvario da própria vontade, concede-nos o Senhor a mestra divina, que, apoiada no tempo, se converte na enfermeira de nossos males e no anjo infatigável que nos ampara o destino.

*

Paciente e imperturbável, devolve-nos todos os golpes com que dilaceramos o corpo da vida, para que não persistamos na grade do erro ou nos cárceres do remorso.

*

Aqui, modela berços entre chagas atrozes com que nos restaura os desequilíbrios do sentimento, ali traça programas reparadores entre os quais padecemos no próprio corpo as feridas que abrimos no peito dos semelhantes.

Agora, reúne nos laços do mesmo sangue ferrenhos adversários que se digladiavam no ódio para que se reconciliem por intermédio de prementes obrigações, segundo os ditames da natureza; depois constrange à carência aflitiva, no lar empobrecido e doente, quantos se desmandaram nos abusos da avareza e da ambição sem limites, a fim de que retomem ao culto da verdadeira fraternidade.

Hoje, refaz a inteligência transviada nas sombras, pelo calvário da idiotia, amanhã, recompõe com o buril de moléstias ingratas a beleza do espírito que os nossos desregramentos no corpo transformam tantas vezes em fealdade e ruína.

*

Aqui corrige, adiante esclarece, além reajusta, mais além aprimora.

*

Incansável na marcha, cria e destrói, para reconstruir ante as metas do bem eterno, usando aflição e desgosto, desencanto e amargura, para que a paz e a esperança, a alegria e a vitória nos felicitem mais tarde, no santuário da experiência.

*

Semelhante gênio invariável e amigo é a dor benemérita, cujo precioso poder sana todos os desequilíbrios e problemas do mal.

*

Recordemos: no recinto doméstico ou na estrada maior, ante os amigos e os desafetos, na jornada de cada dia quando visitados pela provação que nos imponha suor e lágrimas, asserenemos o próprio espírito e, sorrindo para o trabalho com que a dor nos favorece, agradeçamos a dificuldade, aceitando a lição.


XAVIER, Francisco C., pelo Espírito Emmanuel. Ceifa de Luz. Rio de Janeiro: Federação Espírita Brasileira, 2007

Pacifica Sempre

"Bem-aventurados os pacificadores, porque serão chamados filhos de Deus" Jesus (Mateus,5:9)

Por muitas sejam as dores que te aflijam a alma, asserena-te na oração e pacifica os quadros da própria luta.

Se alguém te fere, pacifica desculpando.

Se alguém te calunia, pacifica servindo.

Se alguém te menospreza, pacifica entendendo.

Se alguém te irrita, pacifica silenciando.

O perdão e o trabalho, a compreensão e a humildade são as vozes inarticuladas de tua própria defesa.

Golpes e golpes são feridas e mais feridas.

Violência com violência somam loucura.

Não ergas o braço para bater, nem abras o verbo para humilhar.

Diante de toda perturbação, cala e espera, ajudando sempre.

O tempo sazona o fruto verde, altera a feição do charco, amolece o rochedo e cobre o ramo fanado de novas flores.

Censura é clima de fel.

Azedume é princípio de maldição.

Onde estiveres, pacifica.

Seja qual for a ofensa, pacifica.

E perceberás, por fim, que a paz do mundo é dom de Deus, começando de ti.


XAVIER, Francisco C., pelo Espírito Emmanuel. Palavras de Vida Eterna. Uberaba: Comunhão Espírita Cristã, 2007

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Ante os Incrédulos

"E conhecereis a verdade e a verdade vos fará livres" João, 8:32

"A resistência do incrédulo, devemos convir, muitas vezes, provém menos dele do que da maneira por que lhe apresentam as coisas. A fé necessita de uma base, base que é a inteligência perfeita daquilo em que se deve crer. E, para crer, não basta ver, é preciso, sobretudo, compreender." Cap. XIX, 7


Compadeçamo-nos dos incrédulos que se arremetem contra as verdades do espírito, intentando penetrá-las à força.

Semelhantes necessitados chegam de todas as procedências... de paisagens calcinadas pelo fogo do sofrimento, de caminhos que a provação encharca de pranto, de furnas da aflição em que jaziam acorrentados ao desespero. Outros existem que nos atingem as portas, conturbados pelo clima de irreflexão a que se afaziam, ou trazendo sarcasmos no pensamento imaturo, quais crianças barulhentas em recintos graves da escola.

Muitas vezes, nas trilhas da atividade cotidiana, somos tentados a categorizá-los por viajores de indesejável convívio, entretanto, os que surgem dementados pela dor e aqueles outros que se acomodam na leviandade pela força da própria inexperiência, não serão igualmente nosso irmãos, diante de Deus? Certo que não nos é lícito entregar-lhes, em vão, energia e tempo, quando se mostrem distantes da sinceridade que devemos uns aos outros, mas se anelam realmente aprendizado e renovação, saibamos auxiliá-los a compreender que pesquisa e curiosidade somente valem se acompanhadas de estudo sério e trabalho digno.

Estendamos aos companheiros que o ateísmo enrijece, algo de nossas convicções que os ajude a refletir na própria imortalidade. Diligenciemos partilhar com eles o alimento da fé, na mesma espontaneidade de quem divide os recursos da mesa.

Todavia, - perguntarás - e se recusam, obstinados e irônicos, os bens que lhe ofertamos? E se nos apagam, a golpes de violência, as lanternas de amor que lhes acendamos na estrada?

Se indagações assim podem ser formuladas por nossa consciência tranquila, após o desempenho do nosso dever de fraternidade, será preciso consultar a lógica e a lógica nos dirá que eles são cegos de espírito que nos cabe amparar em silêncio, na clínica da oração.

XAVIER, Francisco C., pelo Espírito Emmanuel. Livro da Esperança. Uberaba: Comunhão Espírita Cristã, 1998

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Desajustes


"Sede indulgentes, meus amigos, porquanto a indulgência atrai, acalma, ergue, ao passo que o rigor desanima, afasta e irrita"
Do item 16 do Capítulo X, de "O Evangelho Segundo o Espiritismo"

É comum observar-se que o casamento promissor repentinamente adoece.

Desvelam-se empeços dos cônjuges no ramerrão do cotidiano. Conflitos, moléstias, desníveis, falhas de formação e temperamento.

Em certos lances da experiência, é a mulher que se consorciou acreditando encontrar no esposo o retrato psicológico do pai, a quem se vinculou desde o berço; em outros, é o homem a exigir da companheira a continuidade da genitora, a quem se jungiu desde a vida fetal.

Ocorre, porém, que o matrimônio é uma quebra de amarras através da qual o navio da existência larga o cais dos laços afetivos em que, por muito tempo, jazia ancorado. Na viagem, que se inicia a dois, parceiro e parceira se revelarão, um à frente do outro tais quais são e como se encontram na realidade, evidenciando, em toda a extensão, os defeitos e as virtudes que porventura, carreguem. Desajustes e inadaptações costumam repontar, ameaçando a estabilidade da embarcação doméstica, atirada ao navegar nas águas da experiência.

É razoável se convoque o auxílio de técnicos capazes de sanar as lesões no barco em perigo, como sejam médicos e psicólogos, amigos e conselheiros, cuja contribuição se revestirá sempre de inapreciável valor; entretanto, ao desenrolar de obstáculos e provas, o conhecimento da reencarnação exerce encargo de importância por trazer aos interessados novo campo de observações e reflexões, impelindo-os à tolerância, sem a qual a rearmonização acena sempre mais longe. Homem e mulher , usando a chave de semelhante entendimento, passam mecanicamente a reconhecer que é preciso desvincular e renovar sentimentos, mas em bases de compreensão e serenidade, amor e paz.

Urge perceber que o "nós" da comunhão afetiva não opera a fusão dos dois seres que o constituem.

Cada parceiro, no ajuste, continua sendo um mundo por si. E nem sempre os característicos de um se afinam com o outro. Daí a conveniência do mútuo aceite, com a obrigação da melhoria do casal. Para isso, não bastarão providências de superfície. Há que internar o raciocínio em considerações mais profundas para que as raízes do desequilíbrio sejam erradicadas da mente. Aceitação, o problema. Forçoso admitir o companheiro ou a companheira como são ou como se aboletam na embarcação doméstica. E feito isso, inicie-se obra da edificação ou a reedificação recíprocas.

Óbvio que conclusões e atitudes não se impõem no campo mental; entretanto, não se arrependerá quem se disponha a estudar os princípios da reencarnação e da responsabilidade individual no próprio caminho.

Obtém-se da vida o que se lhe dá, colhe-se o material de plantio.

Habitualmente, o homem recebe a mulher, como a deixou e no ponto em que a deixou no passado próximo, isto é, nas estâncias do tempo que se foi para o continuísmo da obra de resgate ou de elevação no tempo de agora, sucedendo o mesmo referentemente à mulher.

O parceiro desorientado, enfermo ou infiel, é aquele homem que a parceira, em existências anteriores, conduziu à perturbação, à doença ou à deslealdade, através de atitudes que o segregaram em deploráveis estados compulsivos; e a parceira, nessas condições, consubstancia necessidades e provas da mesma espécie.

Tão somente na base da indulgência e do perdão recíprocos, mais facilmente estruturáveis no conhecimento da reencarnação, com as imbricações que se lhe mostram consequentes na equipe da família, conseguirão o companheiro e a companheira do lar triunfo esperado, nas lides e compromissos que abraçam, descerrando a si mesmos a porta da paz e a luz da libertação.

XAVIER, Francisco C., pelo Espírito Emmanuel. Vida e Sexo. Rio de Janeiro: Federação Espírita Brasileira, 1970

Prece de Cáritas

Deus, nosso Pai, que sois todo Poder e Bondade, dai força àquele que passa pela provação, dai luz àquele que procura pela verdade; ponde no coração do homem a compaixão e a caridade.

Deus! Dai ao viajor a estrela guia, ao aflito a consolação, ao doente o repouso.

Pai! Dai ao culpado o arrependimento, ao espírito a verdade, à criança o guia, ao órfão o pai.

Senhor! Que vossa bondade se estenda sobre tudo o que criastes.

Piedade, Senhor, para aqueles que vos não conhecem; esperança para aqueles que sofrem. Que vossa bondade permita aos Espíritos consoladores derramarem por toda parte a paz, a esperança e a fé.

Deus! Um raio, uma faísca, do vosso amor pode abrasar a Terra; deixai-nos beber nas fontes dessa bondade fecunda e infinita, e todas as lágrimas secarão, todas as dores se acalmarão.

Um só coração, um só pensamento subirá até Vós, como um grito de reconhecimento e de amor. Como Moisés sobre a montanha, nós vos esperamos com os braços abertos, oh Poder! Oh Bondade! Oh Beleza! Oh Perfeição e queremos, de alguma sorte, alcançar vossa misericórdia.

Deus! Dai-nos a força de ajudar o progresso, a fim de subirmos até Vós; dai-nos a caridade pura; dai-nos a fé e a razão; dai-nos a simplicidade que fará das nossas almas o espelho onde se deve refletir vossa imagem.

Cáritas

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Alterações afetivas

Pergunta: Nenhuma influência exercem os Espíritos dos pais sobre o filho depois do nascimento deste?

Resposta: Ao contrário: bem grande influência exercem. Conforme dissemos, os Espíritos têm que contribuir para o progresso uns dos outros. Pois bem, os Espíritos dos pais têm por missão desenvolver os de seus filhos pela educação. Constitui-lhes isso uma tarefa. Tornar-se-ão culpados, se vierem a falir no seu desempenho.
Item número 208 de "O Livro dos Espíritos"


Muito comum se alterem as condições afetivas, depois que o navio do casamento se afasta do cais do sonho para o mar largo da experiência.

Converte-se, então, a esperança em trabalho e desnudam-se problemas que a ilusão envolvia.

Em muitos casos, a altura da afeição permanece intacta; entretanto, na maioria das posições,arrefece o calor em que se aquecia o casal nos dias primeiros da comunhão esponsalística.

Urge, porém, salvar a embarcação ameaçada de soçobro, seja pelo choque contra os rochedos ocultos das dificuldades morais ou pelo naufrágio nas águas mortas do desencanto.

Parceiro e parceira, nos compromissos do lar, precisam reaprender na escola do amor, reconhecendo que, acima da conjunção corpórea, fácil de se concretizar, é imperioso que a dupla se case em espírito - sempre mais em espírito - dia por dia. Não se inquiete o par, à frente das modificações ocorridas, de vez que toda afinidade correta, nas emoções do plano físico, evolui fatalmente para a ligação ideal, a exprimir-se na ternura confiante da amizade sem lindes.

Extinta a fogueira da paixão retorta da organização doméstica, remanesce da combustão o ouro vivo do amor puro, que se valoriza, cada vez mais, de alma para alma, habilitando o casal para mais altos destinos na Vida Superior. Isso acontece, porque os filhos que surgem são igualmente peças do matrimônio, compelindo o lar a recriar-se, de maneira incessante, em matéria de instituto endereçado ao trabalho de assistência recíproca.

O carinho repartido, em princípio, a dois, passa a ser dividido por maior número de partícipes do núcleo familiar, e esses mesmos condôminos do estabelecimento caseiro, em muitas circunstâncias, são associados da doce hipnose do namoro e do noivado, que mantinham nos pais jovens, ainda solteiros, a chama da atração entusiástica até a consumação do enlaçamento afetivo.

Quase sempre, Espíritos vinculados ao casal, ora mais fortemente ao pai, ora mais especialmente ao campo materno, interessavam-se na Vida Maior pela constituição da família, à face das próprias necessidades de aprimoramento e resgate, progresso e autocorrigenda. Em vista disso, cooperaram, em ação decisiva, na aproximação dos futuros pais, aportando em casa, pelos processos da gravidez e do berço, reclamando naturalmente a quota de carinho e atenção que lhes é devida.

Em toda comunhão mais profunda do homem e da mulher na formação do grupo doméstico, seguida de filhos a lhes compartilhar a existência, há que contar com a sublimação espontânea do impulso sexual, cabendo ao companheiro e à companheira que o colocaram em função de aderir aos propósitos da vida, que tudo renova para engrandecer e aperfeiçoar.

Conquanto bastas vezes sejamos recalcitrantes na sustentação do amor egoístico, desvairado, em exigências de toda espécie, a pouco e pouco acabamos por entender que apenas o amor que sabiamente se divide, em bençãos de paz e alegria pra com os outros, é capaz de multiplicar a verdadeira felicidade.

XAVIER, Francisco C., pelo Espírito Emmanuel. Vida e Sexo. Rio de Janeiro: Federação Espírita Brasileira, 1970

Ação

"Portanto, meus amados irmãos, sede firmes, inabaláveis, e sempre abundantes na obra do Senhor, sabendo que, no Senhor, o vosso trabalho não é vão". Paulo (I Coríntios, 15:58)

Nas lutas do dia-a-dia, todos somos impelidos a várias operações para avançar no caminho...

Sentimos.
Desejamos.
Pensamos.
Falamos.
Estudamos.
Aprendemos.
Conhecemos.
Ensinamos.
Analisamos.
Trabalhamos.

Entretanto, é preciso sentir a necessidade do bem de todos para que saibamos
desejar com acerto;
desejar com acerto para pensar honestamente;
pensar honestamente para falar aproveitando;
falar aproveitando para estudar com clareza;
estudar com clareza para aprender com entendimento;
aprender com entendimento para conhecer discernindo;
conhecer discernindo para ensinar com bondade;
ensinar com bondade para analisar com justiça e
analisar com justiça para trabalhar em louvor do bem,

porque, em verdade, todos somos diariamente constrangidos à ação e pelo que fazemos é que cada um de nós decide quanto ao próprio destino, criando para si mesmo a inquietante descida à treva ou a sublime ascensão à luz.

XAVIER, Francisco C., pelo Espírito Emmanuel. Palavras de Vida Eterna. Uberaba: Comunhão Espírita Cristã, 2007

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Exercício do Bem

"Mas ajuntai tesouros no Céu, onde nem a traça nem a ferrugem consomem, e onde os ladrões não minam nem roubam." Jesus (Mateus, 6:20)

"Sede bons e caridosos: essa a chave dos céus, chave que tendes em vossas mãos. Toda a eterna felicidade se contém nesse preceito: Amai-vos uns aos outros." Cap. XIII, 12

Comumente inventamos toda espécie de pretextos pra recusar os deveres que nos constrangem ao exercício do bem.

Amolentados no reconforto e instalados egoisticamente em vantagens pessoais, no imediatismo do mundo, não ignoramos que é preciso agir e servir na solidariedade humana, todavia, derramamos desculpas a rodo, escondendo teimosia e mascarando deserção.

Confessamo-nos incompetentes.
Alegamos cansaço.
Afirmamo-nos sem tempo.
Declaramos-nos enfermos.
Destacamos a necessidade de vigilância na contenção do vício.
Reclamamos cooperação.

Aqui e ali, empregamos expressões cronicificadas que nos justifiquem a fuga, como sejam "muito difícil", "impossível", "melhor esperar", "vamos ver" e ponderamos vagamente quanto aos arrependimentos que nos amarguram o coração e complicam a vida, à face de sentimentos, idéias, palavras e atos infelizes a que, em outras ocasiões, nos precipitamos de maneira impensada.

Na maioria das vezes, para o bem, exigimos o atendimento a preceitos e cálculos, enquanto que, para o mal, apenas de raro em raro, imaginamos consequências.

Entretanto, o conhecimento do bem para que o bem se realize é de tamanha importância que o apóstolo Tiago afirma no versículo 17 do capítulo 4 de sua carta no Evangelho: "Todo aquele que sabe fazer o bem e não o faz comete falta". E dezenove séculos depois dele, os instrutores desencarnados que supervisionaram a obra de Allan Kardec desenvolveram o ensinamento ainda mais, explicando na Questão 642 de "o Livro dos Espíritos"; "Cumpre ao homem fazer o bem, no limite de suas forças, porquanto responderá pelo mal que resulte de não haver praticado o bem".

O Espiritismo, dessa forma, definido-se não apenas como sendo a religião da verdade e do amor, mas também da justiça e da responsabilidade, vem esclarecer-nos que responderemos, não só pelo mal que houvermos feito, mas igualmente pelo mal que decorra do nosso comodismo em não praticando o bem que nos cabe fazer.

XAVIER, Francisco C., pelo Espírito Emmanuel. Livro da Esperança. Uberaba: Comunhão Espírita Cristã, 1998

domingo, 6 de fevereiro de 2011

No burilamento íntimo

"Bem-aventurado aquele servo a quem seu senhor, quando vier, achar fazendo assim" Jesus (Mateus, 24:46)


Suspiramos por burilamento pessoal; entretanto, para atingi-lo, urge não esquecer as disciplinas que lhe antecedem a formação.
À vista disso, recordemos que a essência da educação reside nas diretrizes de vida superior que adotamos para nós mesmos. Daí, o impositivo de cultivar-se o hábito:

de ser fiel ao desempenho dos próprios deveres;
de fazer o melhor que pudermos, no setor de ação em que a vida nos situe;
de auxiliar a outrem, sem expectativa de recompensa;
de aperfeiçoar as palavras que nos escapem da boca;
de desculpar incondicionalmente quaisquer ofensas;
de nunca prejudicar a quem quer que seja;
de buscar a "boa parte" das situações e das pessoas, olvidando tudo o que tome a feição de calamidade ou desonra;
de procurar o bem com a disposição de realizá-lo;
de nunca desesperar;
de que os outros, sejam quais forem, são nossos irmãos e filhos de Deus, constituindo conosco a família da Humanidade.

Por isso, é forçoso lembrar, sobretudo, que a alavanca da sustentação dos hábitos enobrecedores está em nós e somente vale se manejada por nós.

XAVIER, Francisco C., pelo Espírito Emmanuel. Ceifa de Luz. Rio de Janeiro: Federação Espírita Brasileira, 2007

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Na Exaltação do Trabalho

"... O reino de Deus é assim como se um homem lançasse semente à terra..." Jesus (Marcos, 4:26)

"Animo, trabalhadores! Tomai dos vossos arados e das vossas charruas; lavrai os vossos corações; arrancai deles a cizânia; semeai a boa semente que o Senhor vos confia e o orvalho do amor lhe fará produzir frutos de caridade" Cap. XVIII, 15

Para considerar a importância do trabalho, relacionemos particularmente algumas calamidades da inércia, no plano da natureza.

*

A casa longamente desabitada afasta-se da missão de albergar os que vagueiam sem teto e, em seguida, passa à condição de reduto dos animais inferiores que a mobilizam por residência.

O campo largado em abandono furta-se ao cultivo dos elementos nobres, necessários à inteligência na Terra e transforma-se, gradativamente, em deleitoso refúgio da tiririca.

O poço de águas trancadas foge de aliviar a sede das criaturas, convertendo-se para logo em piscina de vermes.

O arado ocioso esquece a alegria de produzir e, com o decurso do tempo, incorpora em si mesmo a ferrugem que o desgasta.

A roupa que ninguém usa distancia-se da tarefa de abrigar quem tirita ao relento e faz-se, pouco a pouco, a moradia da traça que destrói.

O alimento indefinidamente guardado sem proveito deixa a função que lhe cabe no socorro aos estômagos desnutridos e acaba alentando os agentes da decomposição em que se corrompe.

*

Onde estiveres, lembra-te de que a vida é caminhada, atividade, progresso, movimento e incessante renovação para o Bem Eterno.

Trabalho é infatigável descobridor.

Transpõe dificuldades, desiste da irritação, olvida mágoas, entesoura os recursos da experiência e prossegue adiante.

Quem persevera na preguiça, não somente deserta do serviço que compete fazer, mas abre também as portas da própria alma à sombra da obsessão em que fatalmente se arruinará.

XAVIER, Francisco C., pelo Espírito Emmanuel. Livro da Esperança. Uberaba: Comunhão Espírita Cristã, 1998

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Estado mental

"... E vos renoveis no espírito do vosso sentido..." Paulo (Efésios, 4:23)

A carga de condições menos felizes que trazemos de vidas passadas pode, comumente, acarretar-nos difíceis provações e privações, de caráter negativo, quando de nossa permanência na Terra.

*

Provavelmente, não teremos a equipe familiar tão unida como desejaríamos e nem contamos ainda com os ideais de elevação, em todos os seres queridos, segundo as nossas aspirações.

*

A atividade profissional, com muita frequência, não é aquela que mais se nos harmoniza com o modo de ser, porquanto, em muitos lances da experiência, somos forçados à execução de tarefas menos agradáveis, para a regeneração de nossos impulsos inferiores.

*

A situação social, bastas vezes, não é a que sonhamos, de vez que múltiplas circunstâncias nos impelem a realizar cursos de paciência de humildade no anonimato educativo.

*

Obstáculos de ordem econômica, em muitos casos, se erigem como sendo cárceres de contratempos incessantes, nos quais devemos praticar o respeito aos bens da vida, aprendendo a usá-los sem abuso e sem desperdício.

*

Às vezes, não possuímos, no mundo, nem mesmo o corpo físico que nos corresponda à estrutura psicológica, a fim de que saibamos trabalhar, com vistas aos nosso próprios interesses para a Vida Superior.

*

Indiscutivelmente, nem sempre conseguimos eleger as ocorrências que nos favoreçam os melhores desejos, mas podemos, em qualquer posição, escolher o estado mental justo para aceitá-las com a possibilidade de convertê-las em trilhas de acesso ao Infinito Bem; e, depois de aceitá-las, construtivamente, verificamos que a Bondade de Deus nos concede a bênção do trabalho, na qual ser-nos-á possível qualquer período de prova, renovando o campo íntimo, sublimando a existência e acendendo a luz inapagável do espírito, em nosso próprio destino, para a edificação do futuro melhor.

XAVIER, Francisco C., pelo Espírito Emmanuel. Ceifa de Luz. Rio de Janeiro: Federação Espírita Brasileira, 2007

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Ante o Livre Arbítrio

"Não te admires de que eu te haja dito ser preciso que nasças de novo" Jesus (João, 3:7)

Não há, pois , duvidar de que sob o nome de ressurreição o princípio da reencarnação era ponto de uma das crenças fundamentais dos judeus, ponto que Jesus e os profetas confirmaram de modo formal; donde se segue que negar a reencarnação é negar as palavras do Cristo" Cap. IV, 16

Surgem, aqui e ali, aqueles que negam o livre arbítrio, alegando que a pessoa no mundo é tão independente, quanto o pássaro no alçapão.

E, justificando a assertiva, mencionam a junção compulsória do espírito ao veículo carnal, os constrangimentos da parentela, as convenções sociais, as preocupações incessantes na preservação da energia corpórea, as imposições do trabalho e a obediência natural aos regulamentos constituídos para a garantia terrestre, esquecendo-se de que não há escola sem disciplina.

Certamente, todos os patrimônios da civilização foram erigidos pelas criaturas que usaram a própria liberdade na exaltação do bem, no entanto, para fixar as realidades do livre arbítrio examinemos o reverso quadro.

Reflitamos, ainda que superficialmente, em nossos irmãos menos felizes, para recolher-lhes a dolorosa lição.

Pensemos no desencanto daqueles que amontoaram moedas, por longo tempo, acumulando o suor dos semelhantes, em louvor da própria avareza, e sentem a aproximação da morte, sem migalha de luz que lhes mitigue as aflições nas trevas...

Imaginemos o suplício dos que trocaram veneráveis encargos por fantasiosos enganos, a despertarem no crepúsculo da existência, qual se fossem arremessados, sem perceber à secura asfixiante de escabroso deserto...

Ponderemos a tortura dos que abusaram da inteligência, reconhecendo, à margem da sepultura, os deprimentes resultados do desprezo com que espezinharam a dignidade humana...

Consideremos o martírio dos que desvirtuaram a fé religiosa, anulando-se no isolamento improdutivo, ao repararem, no término da estância terrestre, que apenas disputaram a esterilidade do coração.

Meditemos no remorso dos que se renderam à delinquencia, hipnotizados pela falsa adoração a si mesmos, acordando abatidos e segregados no fundo das penitenciárias de sofrimento...

Ninguém pode negar que todos eles, imanizados ao cativeiro da angústia, eram livres... Conquanto os empeços do aprendizado na experiência física, eram livres para construir e educar, entender e servir.

Eis porque a Doutrina Espírita fulge, da atualidade, diante da mente humana, auxiliando-nos a descobrir os Estatutos Divinos, funcionando em nós próprios, no foro da consciência, a fim de aprendermos que a liberdade de fazer o que se quer está condicionada à liberdade de fazer o que se deve.

Estudemos os princípios da reencarnação, na lei de causa e efeito, à luz da justiça e da misericórdia de Deus e perceberemos que mesmo encarcerados agora em constringentes obrigações, estamos intimamente livres para aceitar com respeito e humildade as determinações da vida, edificando o espírito do trabalho e compreensão naqueles que nos observam e nos rodeiam, marchando, gradativamente, para a nossa emancipação integral, desde hoje.

XAVIER, Francisco C., pelo Espírito Emmanuel. Livro da Esperança. Uberaba: Comunhão Espírita Cristã, 1998

Na Luz da Verdade

"E conhecereis a verdade e a verdade vos libertará" Jesus (João, 8:32)

Nenhuma espécie de amor humano pode comparar-se ao Divino Amor.
Semelhante apontamento deve ser mencionado, toda vez que nos inclinemos a violentar o pensamento alheio.

A Bondade Suprema, que é sempre a bondade invariável, deixa livres as criaturas para a aquisição do conhecimento.

A vontade do Espírito é acatada pela Providência, em todas as manifestações, incluindo aquelas em que o homem se extravia na criminalidade, esposando obscuros compromissos.

A pessoa converte, pois, a vida naquilo que deseje, sob a égide da Justiça Perfeita que reina em todos os distritos do Universo, determinando seja concedido a cada um por suas obras.

Elegemos os tipos de experiência em que nos propomos estagiar, nessa ou naquela fase da evolução. Discórdia e tranquilidade, ação e preguiça, erro e corrigenda, débito e resgate são frutos de nossa escolha.

Respeitemo-nos assim, uns aos outros.

Não intentes constranger o próximo a ler a cartilha da realidade por teus olhos, nem a interpretar os ensinamentos do cotidiano com a cabeça que te pertence.

A emancipação íntima surgirá para a consciência, à medida que a consciência se disponha a buscá-la.

Rememoremos as palavras do Cristo: "conhecereis a verdade e a verdade vos libertará". Note-se que o Mestre não designou lugar, não traçou condições, não estatuiu roteiros, nem especificou tempo. Prometeu simplesmente - "conhecereis a verdade", e, para o acesso à verdade, cada um tem seu dia.

XAVIER, Francisco C., pelo Espírito Emmanuel. Palavras de Vida Eterna. Uberaba: Comunhão Espírita Cristã, 2007

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Por amor a Deus

"Servindo de boa vontade ao Senhor..." Paulo (Efésios, 6:7)

Não importa que o filho-problema te arranque lágrimas de aflição se o abraças na condição da criatura eterna que Deus te deu a encaminhar.
Não existe sofrimento na abnegação, em favor de pais incompreensivos, se a eles te consagras na certeza de que os encontraste por benfeitores a que Deus te guiou, a fim de que os entendas e auxilies no reajustamento necessário.

*

Não há dor no sacrifício por alguém no lar ou no grupo social se temos nesse alguém a presença de uma criatura difícil que Deus colocou em nosso caminho, para que lhe sirvamos de apoio.

*

Não existem lágrimas nos encargos de auxílio ao próximo, bastas vezes inçadas de aversões gratuitas, se as acolhemos por serviço que Deus nos entrega, no qual se nos apagam os impulsos da personalidade, a fim de que nos transformemos em auxílio aos semelhantes.

*

Aceita a responsabilidade em tuas mãos ou as provas que o tempo te trouxe por trabalho que Deus te confia, trabalhando e servindo, compreendendo e auxiliando aos outros, por amor a Deus e mais depressa te desfarás de quaisquer sombras do passado, liquidando débitos e culpas, em serviço de amor a Deus, porque o amor a Deus se te fará luz no coração, fazendo-te viver ao sol do porvir.

XAVIER, Francisco C., pelo Espírito Emmanuel. Ceifa de Luz. Rio de Janeiro: Federação Espírita Brasileira, 2007

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Filhos

"Os laços de sangue não criam forçosamente os liames entre os Espíritos. O corpo procede do corpo, mas o Espírito não procede do Espírito, porquanto o Espírito já existia antes da formação do corpo. Não é o pai quem cria o Espírito de seu filho; ele mais não faz do que lhe fornecer o invólucro corpóreo, cumprindo-lhe, no entanto, auxiliar o desenvolvimento intelectual e moral do filho, para fazê-lo progredir."
Do item 8, cap. XIV, de O Evangelho Segundo o Espiritismo.

Entre os casais, surge comumente o problema do abandono, pelo qual o parceiro lesado é compelido à carência afetiva.

Criaturas integradas na comunhão recíproca, o afastamento uma da outra provoca, naturalmente, em numerosas circunstâncias, o colapso das forças mais íntimas naquela que se viu relegada a escárnio ou esquecimento.

Justo observar que toda criatura prejudicada usufrui o direito de envidar esforços na própria recuperação.

Análogo princípio prevalece nas conjunções do sentimento, sempre efetuadas com fins determinados em vista.

O companheiro ou companheira menosprezada no círculo doméstico detém a faculdade de refazer as condições que julgue necessárias à própria euforia, com base na consciência traquila.

Não existem obrigações de cativeiro para ninguém nos fundamentos morais da Criação. Um ser não dispõe de regalias para abusar impunemente de outro, sem que a vítima se veja espontaneamente liberta de qualquer compromisso para com o agressor. Em matéria afetiva, porém, se a união sexual trouxe filhos à paisagem terrestre, é razoável que as Leis da Vida reconheçam na criatura lesada a permissão de restabelecer a harmonia vibratória em seu mundo emotivo, logicamente dentro da ética que sustenta a tranquilidade da vida íntima; entretanto, essas mesmas Leis da Vida rogam, sem impor, às vítimas da deslealdade ou da prepotência que não renunciem ao dever de amparar os filhos, notadamente se esses filhos ainda não atingiram a puberdade que lhes traçará começo à compreensão dos problemas sexuais que afligem a Humanidade.

Em sobrevindo semelhantes crises, haja no parceiro largado em desprezo uma revisão criteriosa do próprio comportamento para verificar até que ponto haverá provocado a agressão moral sofrida e, embora se reconheça culpado ou não, que se renda, antes de tudo, à desculpa incondicional, ante o ofensor, fundindo no coração os títulos ternos que tenha concedido ao companheiro ou à companheira da comunhão sexual no título de irmão ou irmã, de vez que somos todos espíritos imortais, interligados perante Deus, através dos laços da fraternidade real.

Aprenda o parceiro moralmente danificado que só pelo esquecimento das faltas uns dos outros é que nos endereçaremos à definitiva sublimação e que nenhum de nós, os filhos da Terra, está em condições de acusar nos domínios do sentimento, porquanto os virtuosos de hoje podem ter sido os caídos de ontem e os caídos de hoje serão possivelmente os virtuosos de amanhã a quem tenhamos talvez de rogar apoio e benção, quando a Justiça Eterna nos venha descerrar a imensidão de nossos débitos, acumulados em existências que deixamos para trás nos arquivos do tempo.

Homem ou mulher em abandono, se tem filhos pequeninos, que se voltem, acima de tudo, para essas aves ainda tenras do pábulo doméstico, agasalhando-as sob as asas do entendimento e da ternura, por amor a Deus e a si mesmos, até que se habilitem aos primeiros contatos conscientes com a vida terrestre, antes de se aventurarem à adoção de nova companhia; isso porque podem usar a atribuição natural que lhes compete, no que se refere a possíveis renovações, sem se arriscarem a agravar os problemas dos filhos necessitados de arrimo e sem complicarem a própria situação perante o futuro.

XAVIER, Francisco C., pelo Espírito Emmanuel. Vida e Sexo. Rio de Janeiro: Federação Espírita Brasileira, 1970

domingo, 16 de janeiro de 2011

Auxílio e Nós

"... Pedi e recebereis..." - Jesus (João, 16:24)
"Cumpre não confundir a fé com a presunção. A verdadeira fé se conjuga à humildade; aquele que a possui deposita mais confiança em Deus do que em si próprio, por saber que, simples instrumento da vontade divina, nada pode sem Deus" Cap. XIX 4

Sonhamos felicidade e queremos auxílio.
A Sabedoria do Universo, porém, colocou a vontade em nosso for íntimo, à guisa de juiz supremo, a fim de que a vontade, em última instância, decida todas as questões que se nos referem à construção do destino.

Anelamos tranquilidade, alentamos nobres aspirações, aguardamos a concretização dos próprios desejos, traçamos votos de melhoria... E, a cada passo, surpreendemos o concurso indireto das circunstâncias a nos estenderem, de mil modos, o apoio certo da Providência Divina.
A assimilação, porém, de qualquer auxílio surge condicionada às nossas resoluções.
Escolas preparam.
Afeições protegem.
Simpatias defendem.
Favores escoram.
Conselhos avisam.
Dores advertem.
Dificuldades ensinam.
Obstáculos adestram.
Experiências educam.
Desencantos renovam.
Provações purificam.
A máquina de Eterna Beneficência funciona matematicamente, em nosso favor, através dos múltiplos instrumentos da vida, entretanto, as Leis Eternas não esperam colher autômato em consciência alguma. À face disso, embora consideremos com o Evangelho que toda boa dádiva procede originariamente de Deus, transformar para o bem ou para o mal o amparo incessante que nos é concedido dependerá sempre de nós.

XAVIER, Francisco C., pelo Espírito Emmanuel. Livro da Esperança. Uberaba: Comunhão Espírita Cristã, 1998

Vigiando

"... Se alguma virtude há e se algum louvor existe, seja isso o que ocupe o vosso pensamento." - Paulo (Filipenses, 4:8)

Trabalhemos vigiando.
Aquilo que nos ocupa o pensamento é a substância de que nos constituirá a própria vida.
Retiremos, dessa forma, o coração de tudo o que não seja material de edificação do Reino Divino, em nós próprios.
Em verdade, muita sugestão criminosa buscará enevoar-nos a mente, muito lodo da estrada procurar-nos-á as mãos na jornada de cada dia e muito detrito do mundo tentará imobilizar-nos os pés.
É a nuvem da incompreensão conturbando-nos o ambiente doméstico...
É a injúria nascida na palavra inconsciente dos desafetos gratuitos...
É a acusação indébita de permeio com a calúnia destruidora...
É a maledicência convidando-nos à mentira e à leviandade...

É o amigo de ontem que se rende às requisições da treva, passando à condição de censor das nossas qualidades ainda em processo de melhoria...

Entretanto, à frente de todos os percalços, não te prendas às teias da perturbação e da sombra.

Em todas as situações e em todos os assuntos, guardemos a alma nos ângulos em que algo surja digno de louvor, fixando o bem e procurando realizá-lo com todas as energias ao nosso alcance.

Aos mais infelizes, mais amparo.

Aos mais doentes, mais socorro.

E, ocupando o nosso pensamento com os valores autênticos da vida, aprenderemos a sorrir para as dificuldades, quaisquer que sejam, construindo gradativamente, em nós mesmos, o templo vivo da luz para a comunhão constante com o nosso Mestre e Senhor.

XAVIER, Francisco C., pelo Espírito Emmanuel. Palavras de Vida Eterna. Uberaba: Comunhão Espírita Cristã, 2007

sábado, 15 de janeiro de 2011

No trato comum



"... Nem haja alguma raiz de amargura que, brotando, vos perturbe e, por meio dela, muitos sejam contaminados." - Paulo (Hebreus, 12:15)


É razoável estejamos sempre cautelosos a fim de não estendermos o mal caminho alheio. Os outros colhem os frutos de nossas ações e oferecem-nos, de volta, as reações conseqüentes. Daí, o cuidado instintivo em não ferirmos a própria consciência, seja policiando atitudes ou selecionando palavras, para que vivamos em paz à frente dos semelhantes, assegurando tranqüilidade a nós mesmos.

*
Em muitas circunstâncias, contudo, não nos imunizamos contra os agentes tóxicos da queixa. Superestimamos nossos problemas, supondo nossas dores maiores e mais complexas que as dos vizinhos e, amimalhando o próprio egoísmo, cultivamos indesejável raiz de amargura no solo do coração. Daí brotam espinheiros mentais, suscetíveis de golpear quantos renteiam conosco, na atividade cotidiana, envenenando-lhes a vida.

*
Quantas sugestões infelizes teremos coagulado no cérebro dos entes amados, predispondo-os à enfermidade ou à delinquência com as nossas frases irrefletidas! Quantos gestos lamentáveis terão vindo à luz, arrancados da sombra por nossas observações vinagrosas.
Precatemo-nos contra semelhantes calamidades que se nos instalam nas tarefas do dia-a-dia, quase sempre sem que venhamos a perceber. Esqueçamos ofensas, discórdias, angústias e trevas, para que a raiz da amargura não encontre clima propício no campo que atuamos.

*
Todos necessitamos de felicidade e paz; entretanto, felicidade e paz solicitam amor e renovação, tanto quanto o progresso e a vida pedem trabalho harmonioso e bênção do sol.

XAVIER, Francisco C., pelo Espírito Emmanuel. Ceifa de Luz.Rio de Janeiro: Federação Espírita Brasileira, 2007